Estive pensando em nós dois,
tentando trazer algo que pudesse me fazer lembrar das coisas terríveis pelas
quais passamos. Mas só mais um pretexto para a inspiração chegar, essa falta
que vive presente e me deixa encarando o teclado e uma página em branco.
Desisti depois de algumas semanas, não foi algo planejado, o meu objetivo era
me sentar todos os dias e tentar, ficar recordando as vezes em que me deixou
plantada te esperando ou quando a sua ex beijou seu rosto enquanto estava ao
seu lado. Hoje está tudo bem, confesso... Aprendemos a amar ou pelo menos nos
esforçamos, acontece que minhas estórias sempre foram melancólicas, e essa era
uma necessidade minha.
Era, realmente. Era porque eu não
tinha você, estava só e a solidão era o meu único assunto. Talvez eu tenha me
acostumado a falar sobre a infelicidade, e, nas vezes em que você era um idiota,
eu me lembrava e escrevia novamente sobre sentimentos passageiros, mas que
permaneciam inertes num pequeno pedaço de memória que se recusava em me deixar.
Você sabia como tirá-la de mim, e, às vezes, se dá ao trabalho de me mandar
calar a boca e esquecer tudo que um dia não foi nosso.
Falando sobre isso, muita coisa
se transformou em nossa nos últimos tempos. Um namoro nosso, uma música nossa,
um beijo nosso, amigos nossos. Todo o clichê que julgamos ser diferente porque
somos nós, eu e você, e nós gostamos dos mesmos livros e compartilhamos bandas
de rock. Lemos a biografia de Kurt Cobain e, de aniversário, me deu a de Renato
Russo, mesmo você não gostando de Legião Urbana e eu sendo fã de carteirinha.
Estranho, não? Essa história de amar e olhar para o outro mesmo gritando para o
mundo que você se ama mais. Naquele momento, não. Ele é mais importante, e
talvez isso dure a vida inteira.
E, sinceramente, isso não seria
nada ruim, não é verdade?
Já estou perdida em meio termos
outra vez, pretendia falar sobre o cotidiano já que ele não me deixava, e então
você apareceu nessa bagunça de pensamentos e ideias que só eu mesma pra ter.
Passa da meia noite, quase uma da manhã, com essa rotina de estudos não ando
dormindo muito bem e o sono acaba me levando com pressa. Vou me despedindo
então, nem sei se essa poderia ser considerada uma carta, mas dentre os fatos
do dia a dia tive razão em citar você, uma novidade que está sempre presente.
E é por isso que eu te amo. Amo seus defeitos e suas virtudes. Amo seu egoísmo quando me chama de egoista. Amo seu colo. Amo sua boca. Amo a saudade que sinto, pois ela é nossa. Eu te amo. Amo sua existência.
O Back to Jazz desabrochou sob o relento da escassa criatividade da mórbida donzela de sardas avermelhadas, que vivia a se queixar da ausência eloquente das palavras. Érica, como num conto, decidira aquinhoar seu mal expelindo bobeiras com mãos a calejar no cubículo de sua estante.
E é por isso que eu te amo. Amo seus defeitos e suas virtudes. Amo seu egoísmo quando me chama de egoista. Amo seu colo. Amo sua boca. Amo a saudade que sinto, pois ela é nossa. Eu te amo. Amo sua existência.
ResponderExcluirAh, meu bem maior!
ExcluirSimples, bonito e preciso! Não é necessário mais para dizer tanto.
ResponderExcluirContinuação do excelente trabalho!
Tiago, muito obrigada. Espero que volte sempre!
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