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Título: Fazendo meu filme 1 – A estreia de Fani
Autor(a): Paula Pimenta
Páginas: 336
Editora: Gutenberg

Fazendo meu filme Ã© um livro encantador, daqueles que lemos compulsivamente e, quando terminamos, sentimos saudade. Não há como não se envolver com Fani, suas descobertas e seus anseios, típicos da adolescência. Uma história bem-humorada e divertida que conquista o leitor a cada página. Seja a relação com a família, consigo mesma e com o mundo; seja a convivência com as amigas, na escola e nas festas; seja a relação com seu melhor amigo e confidente. Tudo muda na vida de Estefânia quando surge a oportunidade de fazer um intercâmbio e morar um ano em outro país. As reveladoras conversas por telefone ou MSN e os constantes bilhetinhos durante a aula passam a ter outro assunto: a viagem que se aproxima. É sobre isto que trata este livro: o fascinante universo de uma menina cheia de expectativas, que vive a dúvida entre continuar sua rotina, com seus amigos, familiares, estudos e seu inesperado novo amor, ou se aventurar em outro país e mergulhar num mundo cheio de novas possibilidades. As melhores cenas da vida de Fani podem ainda estar por vir…

Ontem pela noite terminei o primeiro volume da série Fazendo meu filme de Paula Pimenta, uma escritora brasileira autora de muitas febres no Brasil. Paula foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Época em 2012, a escritora teve sua série mais conhecida (Fazendo meu filme) traduzida para inglês depois de uma participação num livro de contos (O livro das princesas) com duas autoras afamadas do estrangeiro e mais uma brasileira: Lauren Kate (trilogia Fallen), Meg Cabot (série O diário da princesa) e Patrícia Barboza (As MAIS).

De primeira, não sabia que nota dar ao livro Fazendo meu filme – A estreia de Fani. Não é o tipo de narrativa que eu iria sugerir, mas o enredo realmente me prendeu, quase que literalmente devorei o livro. Deixei até Martha Medeiros de lado por um tempo, e isso é realmente preocupante. Acontece que Paula Pimenta fez questão em descrever a adolescência de muitas garotas por aí, contando sobre as melhores amigas, os desafios, amores por professores bonitinhos e perigosamente mais velhos, e também  a relação de dois "melhores amigos".

E o mais intrigante: toda aquela história clichê e bobinha de adolescentes à flor da pele a autora conseguiu escrever de forma criativa. Fani, como pode ser visto na capa, é uma juvenil de classe média alta cursando o ensino médio apaixonada por filmes e quer ser uma Cineasta (ao contrário do que deseja sua mãe). Seus melhores amigos são: Gabi, Natália e Leo. O livro se passa em Minas Gerais, onde os adolescentes moram, logo no início dá-se a notar que a estória já começa no fim do ano. Os alunos do colégio de Fani, inclusive ela mesma, já estão lutando para passar de ano e é aí que tudo se estreia: as festas, os amores platônicos, os amores reais, os beijos, as intrigas, brigas e, principalmente, as despedidas (...)

A narração é em primeira pessoa pelo ponto de vista de Fani e bem próxima do leitor, no prólogo a protagonista faz uma lista de filmes que poderiam ser seus preferidos, e, ao decorrer dos capítulos, como apresentação há a fala de algum deles. Como sou adoradora de filmes, fui logo escolhendo um para assistir, mas tenham em mente que os favoritos de Fani são os românticos. Quase tirei uma estrelinha da classificação de Fazendo meu filme porque a mocinha colocou Constantine como apenas uma estrela, polêmica!
Na minha cabeça só vinha um pensamento. A porta tinha sido fechada, trancando todos os meus sonhos. E quando eu abrisse de novo, não teria mais nada do lado de fora. Só o vazio.
Algo que vale ressaltar em Fazendo meu filme – A estreia de Fani é, certamente, como Paula Pimenta conseguiu colocar tudo bem no patamar de realidade. O livro conta com e-mails trocados, bilhetes, conversas no facebook, poema de Fani, listinha de filmes e paixões, e por aí vai...

Angústia 

E se eu olho e não me olha,
Não sei vem se isso convém...
Descobrir se é bola, ou fora.
Se é pra ir ou não, além.

Essa falta de certeza,
Que a paixão, no inicio, tem.
Ora seduz, ora angustia,
Confunde medo com desdém.

A vontade atiça e machuca.
Sem ter-te. Perto. Ter sem.
E eu me declaro, só no pensamento...
Vê se fica esperto, meu bem.

Fani Castelino Belluz
Título: A menina que colecionava borboletas
Autor(a): Bruna Vieira
Páginas: 152
Editora: Gutenberg

Bruna Vieira está cada vez mais longe dos quinze, e sabe que crescer nunca é tão simples. Considerada uma das blogueiras mais influentes do mundo, mais uma vez ela dá vazão ao seu talento como escritora com este seu novo livro de crônicas e pensamentos, em que mostra o quanto amadurecer e conquistar a independência é maravilhoso, mas tem seus desafios e poréns. A garota do interior que usa batom vermelho e que realizou seus maiores sonhos continua inspirando adolescentes de todo o país. Para ela, as páginas deste livro significam o bater de asas das borboletas que colecionou dentro do peito por algum tempo e que agora, finalmente, pode deixar que voem livres por aí. 

Primeiramente, A menina que colecionava borboletas é um livro de crônicas, portanto irei resenhar o livro em suma contando do meu ensaio com o livro, e caso se sinta disposto, gostaria também de saber sua opinião tanto quanto da resenha como quanto da obra. Here we go. Esse foi o meu primeiro livro da Bruna Vieira (Depois dos quinze), não sei se pela capa ou título eu tive um apreço maior por ele, mas não preciso dizer que já no começo do livro me arrependi por não ter comprado suas outras obras. De certa forma, a blogueira faz com que você se identifique com suas crônicas ou, simplesmente, as páginas ilustradas e com frases soltas. Todas muito bem refletidas aos olhos, por acaso.
               “Para os olhos, a previsão era de chuva.”
Creio eu que cada leitor tenha tido sua experiência com A menina que colecionava borboletas, seja pelo seu jeans 42 ou por aquele amor antigo que ainda perturba o seu sono. No meu caso, sou suspeita para falar já que escrevo crônicas, a Bruna me prendeu ao livro quando após os agradecimentos e sumário, explodiu a frase de Cal Lightman em Lie to me “Por favor, não cresça tão rápido.”. É como estar lendo Percy Jackson ou Harry Potter e, de repente, o personagem principal gritasse “Guerra!”, arrepios são inevitáveis.

No livro, a Bruna fala de sua vida pessoal de uma forma indireta, às vezes, buscando personagens fictícios ou deixando o sujeito inexistente. Porém, o que faz com que o leitor continue lendo o livro entre lágrimas e risos é o uso da primeira pessoa, num momento ou outro as palavras chegam até você, já que estamos falando de uma autora que conta sobre o cotidiano, e isso inclui família, amigos, cachorros, amores e até a própria tristeza sem razão.
“Promessas não garantem um final feliz, pleno e definitivo. Cada pessoa tem seu tempo, e o amor não dá a mínima para o ponteiro do relógio. Passam dias, passam meses, e os planos? São feitos e desfeitos o tempo todo. Por bem, ou para o bem. Já você, minha querida, continua inteira. Portanto, trate já de fechar essa caixa vazia e guardar pertinho das outras. A felicidade logo se acostuma com o espaço que sempre teve.” Os planos que a gente faz (e desfaz).
Costumo dizer para quem não acompanha o blog da Bruna ou para quem nunca leu uma de suas crônicas, que ela é o tipo de escritora que faz com que você se sinta mais humano. E mesmo que se identifique com parte da angústia de algumas crônicas, é certo que está se identificando, verdadeiramente, com a autora, e essa, sempre no meio, fim ou até início, te mostra que aquela estória tem solução.
     “Todo mundo sente. Então, todo mundo é meio escritor. É uma questão de coragem.”
Para completar, o livro vem com lista de música. Uma mistura de indie, pop e MPB.


Título: Fora de mim
Autor(a): Martha Medeiros
Páginas: 136
Editora: Objetiva




Recém-separada de um casamento longo e pacífico, a protagonista se apaixona loucamente, embora não cegamente, por um outro homem, de personalidade conturbada, com quem vive uma intensa paixão. Consciente do mergulho, a mulher pressente que no fundo daquela relação só acabaria encontrando a escuridão da dor. Mesmo assim, dá o salto. E perde. A entrega é um vício sem saída.




Desiludidas e mal amadas atenção: esperança à vista! Martha Medeiros mais uma vez devasta em seus escritos, a arrebatadora obra Fora de Mim retrata a vida de uma mulher bem sucedida e recentemente divorciada de um longo casamento com filhos e tudo, já vejo o brilho verde da esperança pela fenda da minha janela! Afinal sair de um casamento e o divórcio ainda ser amigável tendo filhos não é moleza, não é mesmo?

A personagem de Martha tem personalidade própria e é decidida durante a trama, coisas que valorizo vigorosamente em personagens atualmente devido a decepções anteriores com vários outros livros, mas já não é novidade que os personagens de Martha Medeiros seriam nada mais que o exemplo a se seguir – um de seus livros mais conhecidos (Divã) que inspirou uma minissérie na Globo e um filme, mostra claramente o que Martha quer repassar à população feminina – força e modernidade às mulheres da meia idade.
"E assim caminhávamos para o despenhadeiro de mãos dadas, unidos pelo desespero de querer tanto um ao outro e não vislumbrar atalho algum que nos desviasse da queda."
O romance explora os desenganos amorosos de sua personagem principal e, por vezes, a recusa da protagonista quanto a um único homem, aquele que chega às nossas vidas e muda tudo sem saber e depois encontra um jeito de ir embora, conhece? Esse mesmo! Martha também sofreu os delírios de uma grande paixão, viu amores passando ao lado sem que pudesse confiar na grandeza do sentimento, pois ainda tinha fé – mesmo que indiretamente – em relacionamentos passados. (Spoiler?)

Martha não se preocupou em medir palavras em Fora de Mim, vomitou injúrias e tristezas, repeliu a paixão e abraçou-a sem medo. Narrado em primeira pessoa as informações da protagonista passam a adquirir um nível de realidade ainda maior, o livro é breve, porém não deixa de revelar um dicionário de sentimentos.
"Não sei se as pessoas choram de forma diferente uma das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare, não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem limite, eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero,  sinto que caí num vácuo, perdi a parte boa da minha história, e não quero outra, enquanto choro penso que se alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, me prestaria socorro, chamaria uma ambulância, eu nunca vi você chorar, você alguma vez chorou por mim, você sofre a minha ausência, sente minha falta?"